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de um ano depois de receber a má notícia do cancelamento do Rali Dakar
2008, às vésperas da largada, em Lisboa, o piloto petropolitano
Rodolpho Mattheis está "pronto para outra". Um dos principais nomes da
nova geração do rali cross-country no Brasil, Rodolpho trocou de moto e
vai de WR 450cc para a competição, que pela primeira vez será disputada
na América do Sul. Com duas participações no Rally por Las Pampas, que
era disputada justamente na mesma região, ele garante que os pilotos
estrangeiros vão se surpreender com as dificuldades da prova.
Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida pelo piloto da equipe Petrobras/Lubrax ao blog MOTORAMA:
MOTORAMA: O que você está fazendo no momento? Qual a próxima competição?
E RODOLPHO
MATTHEIS: Atualmente possuo um segundo trabalho, além da equipe
Petrobras/Lubrax. Faço parte também de uma equipe de competições de
Stock Car. Com isso, treino paralelamente ao meu trabalho diário.
Procuro fazer uma preparação física específica, correndo pelo menos
quatro vezes por semana, andando de mountain-bike duas vezes por semana
e fazendo musculação. Tudo isso pensando no Rally Dakar, minha próxima
competição.
MOTORAMA: E a moto para o Dakar? Vai continuar com a XT 660, que foi utilizada por você no Rally dos Sertões?
RODOLPHO
MATTHEIS: Vou correr com a Yamaha WR450. Meu primeiro contato com essa
moto foi no mês passado, mas a equipe trabalha em seu desenvolvimento
desde junho. O Thiago Fantozzi a utilizou no Sertões e em seguida foi a
vez do Sthenio Curiozinho continuar sua evolução. Temos mais dois meses
para chegar ao ideal, mas já estamos bem próximos disso, faltando
apenas pequenos detalhes.
MOTORAMA: Pela primeira vez o Rali Dakar vai ser disputado na América do Sul. O que você espera da prova?
RODOLPHO
MATTHEIS: Para quem acha que será "moleza", aguarde e verá. Tenho
certeza que a organização preparou muitas surpresas para aumentar ao
máximo o nível de dificuldade. Eu já corri duas vezes o Rally Por Las
Pampas, na Argentina, e acredito que muitas etapas do Dakar serão
parecidas com a do Pampas. Na edição de 2006, por exemplo, conversei
com alguns pilotos que correm o Dakar e todos estavam surpresos com o
nível de exigência das etapas encontradas na América do Sul. Tivemos
uma etapa duríssima de 700 quilômetros praticamente 100% dentro de um
rio seco, com pedras soltas de todos os tamanhos. Para se ter uma
idéia, o líder dessa etapa a completou em 10 horas e meia! Foi
duríssima! Além disso, também acho que a organização será mais dura
para recompensar a ausência do Rally Dakar 2008.
MOTORAMA: Nos
últimos dois anos você vinha tendo um crescimento meteórico de
desempenho, chegando para a disputa do Dakar 2008, em Portugal, na
"ponta dos cascos". O cancelamento da prova te deu uma "esfriada"?
RODOLPHO
MATTHEIS: Realmente, o cancelamento foi um grande "balde de água fria"
na minha cabeça. Eu estava super ansioso. Passei noites mal dormidas
com aquele friozinho na barriga. Não acreditava que eu não iria mais
realizar o meu sonho, que era encarar a prova off road mais dura do
planeta. Eu havia me preparado muito para a ocasião e fiquei muito
triste por não poder correr a última prova do Jean (Azevedo) em duas
rodas ao lado dele. Creio que essa foi a parte mais triste, pois todos
nós estávamos apostando com que o Jean conseguisse um pódio em 2008, na
sua despedida.
MOTORAMA: Além de você, seu pai, Andreas Mattheis,
também "acelera forte" sobre duas rodas. Com o ritmo de trabalho dele
na Stock Car, comandando duas equipes, vocês dois ainda encontram tempo
para andar de moto juntos?
RODOLPHO MATTHEIS: Como meu pai
resolveu voltar a correr de carro na categoria GT3 ele acabou parando
de andar de moto, pois estava apreensivo pelo fato de poder se machucar
e atrapalhar nos resultados em quatro rodas. Mas estamos sempre juntos,
viajando e trabalhando, e ainda encontramos tempo para fazermos a
preparação física. Corremos a pé no autódromo e quando sobra tempo
ainda fazemos academia. Com certeza, meu pai é meu grande incentivador,
até em duas rodas. Nós dois somos muito competitivos e nossas
brincadeiras de final de semana eram sempre muito sérias. Realizávamos
verdadeiros "pegas" em estradinhas de terra entre a região de
Petrópolis (RJ) e Campos do Jordão (SP). Assim foi meu primeiro contato
com o rali, pois no início ambos queriam correr o Rally dos Sertões
juntos. Portanto, no início de minha carreira o meu mentor sobre as
duas rodas foi o meu pai, em 2004, e no ano seguinte foi o meu amigo e
professor Jean Azevedo.
Fonte Motorama http://oglobo.globo.com/blogs/motorama/default.asp